Roteiro gastronômico em Gramado

Imagine uma cidade limpa, organizada, bem cuidada e, acima de tudo, linda como os vilarejos do interior da Alemanha! Assim é Gramado, nas Serras Gaúchas, um dos lugares mais encantadores que já visitei no Brasil. A pequena cidade respira turismo, ainda mais na época em que fui, em plena Páscoa, quando tem a Chocofest! Era turista para todo lado: olhando as vitrines da avenida Borges de Medeiros, provando as delícias da feira de chocolates, conhecendo os pontos turísticos e perambulando sem rumo e sem direção. E esse é um dos grandes prazeres que Gramado nos oferece, poder caminhar tranquilamente curtindo cada momento da viagem.

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As opções de passeios são várias! Tem o pórtico dando as boas vindas a quem chega; o Palácio dos Festivais, onde é entregue o Kikito, durante o Festival de Cinema; o Lago Negro, que, como o nome diz, é de águas bem escuras, mas lindo e rodeado de belas construções; as diversas fábricas de chocolates, como a Caracol, Prawer, Lugano e Florybal; a cascata do Caracol, com seus 730 degraus (ufa!); e vários parques e museus como a Aldeia do Papai Noel, o Mundo a Vapor, Museu da Moda, do Automóvel, de Cera e tantos outros. Tem Canela, bem pertinho, com a belíssima matriz de Nossa Senhora de Lourdes; e mais uma infinidade de atrações. Isso sem contar com as lojas de couro e lã, com peças lindas!

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DSCN9455 Lago Negro

IMG_3186 Cascata do Caracol

DSCN9504  Nossa Senhora de Lourdes – Canela

No entanto, o ponto alto da visita à cidade mais europeia do país é a culinária. Durante os dias que estive lá, o roteiro foi baseado, principalmente, nas visitas aos restaurantes que não podiam ficar de fora. Tive a sorte de estar ciceroneada por gaúchos, que conhecem bem o que o estado oferece de melhor no quesito gastronomia e que, claro, sabem onde encontrar os melhores pratos em Gramado!

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Nossa primeira parada foi em uma típica cantina italiana, sobre a qual minha amiga fez questão de frisar: “vir a Gramado e não conhecer a Pastasciutta, é o mesmo que não vir a Gramado”. Entrando lá, logo se percebe a atmosfera italiana que preenche o lugar. Todo decorado em tons de vermelho e verde, cores da bandeira italiana, frios pendurados por todo lado e escorredores de macarrão fazendo as vezes dos lustres, o local é super aconchegante, com uma agradável iluminação. O atendimento é excelente, assim como a carta de vinhos e as opções do cardápio, com massas artesanais feitas pela casa, filés e frango, o que nos deixa confusos na hora de fazer o pedido. De entrada, um rico buffet de frios, com queijos, salames, copas, saladas e outras delícias.

IMG_3084 Cantina Pastasciutta

No total, são 12 tipos de massas artesanais. Como éramos quatro pessoas, escolhemos duas opções de massas (os pratos servem duas pessoas). Nossos pedidos foram gnocchi à Quatro Formaggio (quatro tipos de queijos) e talharim ao Mediterrâneo (camarão, tomate seco, muçarela de búfala e manjericão). Ambos dignos de um ‘bahhh’, bem enfático! Difícil saber qual é o melhor. Mas uma dica: pode ser que meia porção seja o suficiente para duas pessoas. Os pratos são muito fartos e acabou sobrando bastante. Que pecado!

DSC05369 Opções de massas

No dia seguinte, almoçamos em um restaurante de churrasco uruguaio. Era rodízio, ou melhor, espeto corrido, no dicionário ‘gaúchês’. Diversos tipos de carnes, acompanhamentos e buffet de salada. Uma delícia! Eles costumam servir a carne bem mal passada, um prato cheio para quem gosta. Mas, caso prefira ao ponto, pode pedir para vir bem passada, que ela vem no ponto ideal! O atendimento também foi bom, apesar de o restaurante ser grande e estar lotado quando chegamos. Mas vale a pena, pois a qualidade e o sabor da comida nos deixaram bem satisfeitos.

À noite, fomos ao Chateau de la Fondue. Claro, em Gramado é obrigatório experimentar um prato típico do inverno. Apesar de ainda não estarmos em minha estação favorita, o clima à noite já permitia essa extravagância, com os termômetros marcando 16 graus! Ainda mais porque amo fondue e não deixaria de experimentar o de Gramado nem se estivesse em pleno verão!

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Ao chegar, nos deparamos com uma fila básica, de 1h30 de espera (lembrando que fomos na Semana Santa), mas nos disseram que este era o melhor da cidade na especialidade, tão aguardada por nós! Então, nome na lista e passeio pela Borges de Medeiros para passar o tempo.  O restaurante é bem aconchegante e tinha um músico tocando e cantando ao vivo, o que deu ainda mais charme ao jantar. Demos início à sequência de fondue. Primeiro vem o de queijo, acompanhado de pães, batatas e brócolis. Sim, brócolis! Nunca tinha experimentado desta maneira, mas garanto que é uma delícia! Depois vem o de carne, com opções de boi, porco e frango, que pode ser servido de forma tradicional, com óleo na panela para fritar as carnes, ou na pedra. Pedimos na pedra para não pesar ainda mais a consciência (como se, nessa altura do campeonato, isso adiantasse alguma coisa). A infinidade de molhos é incrível! Azeitona, vinagrete, gorgonzola, rosê, morango, tártaro, laranja, mel com mostarda e mais tantos outros que não couberam na memória.

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Em seguida, o derradeiro: chocolate! Feito com o chocolate caseiro Prawer, fabricado em Gramado, vem com frutas variadas como laranja, melão, mamão, morango, uva, banana e abacaxi. Para comer rezando!

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Para o dia seguinte, a intenção era experimentar o galeto da Casa di Paolo, bastante tradicional em Gramado. Mas a consciência já estava no chão, e ficou para a próxima! Acabamos optando por outra cantina italiana, a Di Capo, onde transformamos uma entrada em prato principal. Já vinha ouvindo falar sobre a sopa de capeletti há tempos e, então, resolvi experimentar em terras gaúchas, onde se ‘ganha a sopa desde pequenininho’, conforme me contaram! E realmente, é uma delícia! O capaletti em si já é um prato que me atrai aos montes e, na sopa, tem um toque especial com aquele caldinho de gosto caseiro e frango desfiado. E o melhor: é fácil de fazer em casa! Vou adotar em Minas também!

IMG_3184 Cantina Di Capo

Bom, aí estão algumas dicas de onde comer em Gramado! Espero voltar em breve para experimentar as outras delícias que não couberam no cardápio da vez. Porque, é óbvio, na mala ainda vieram muitos chocolates!

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