De Minas ao Peru sobre duas rodas

Vamos DE CARONA, ou melhor, na garupa, para o Peru? Quem nos conta sobre esta aventura é o motociclista Bruno Affonso, que partiu de Minas Gerais para Machu Picchu sobre duas rodas, na companhia de dois amigos!

“Motociclista e viajante por paixão, uma combinação que considero mais que perfeita, eu e dois amigos, Tielo e Rosalvo, decidimos, em 2012, visitar Machu Picchu e seu vale sagrado, no Peru. Até então, a única certeza é que a viagem seria nos meses de abril e maio de 2013, pelo favorecimento do clima (passaríamos pela Cordilheira dos Andes, que, no inverno, não raro, fica interditada por conta da neve que cobre a região). Até sairmos de casa, o roteiro ainda não estava plenamente definido. O que parecia desorganização, nada mais era que um ingrediente fundamental em uma viagem de aventura: a incerteza!

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Logicamente tínhamos algumas rotas pré-definidas, o que chamávamos de planos A, B, C… O mais difícil foi decidir qual deles adotar. Havia limitação de tempo, dinheiro e grande variedade de pontos turísticos. Não daria para ver tudo e alguma coisa teríamos que sacrificar.

Encontramo-nos em Belo Horizonte, no dia 13 de abril, e seguimos sentido Distrito Federal, pela rodovia 040. Nosso objetivo era rodar sempre durante o dia e chegar o mais longe possível. Chegamos ao anoitecer em Pirenópolis, em Goiás, cidade histórica e que algumas pessoas comparam com Tiradentes, em Minas Gerais. Embora não tenha o mesmo charme e glamour, não faz feio. Uma rua lotada de bares, lojas e restaurantes faz a alegria do turista. Jantamos em uma pizzaria ótima, chamada Trotamundus, que, além de oferecer pizzas deliciosas e quadradas, a um preço honesto, faz a pizza em uma velocidade assustadora. Para quem estava morrendo de fome, como nós, foi uma excelente pedida.

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Partimos no dia seguinte cedo em direção à Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. Logicamente, não perderíamos a oportunidade de conhecer uma das três chapadas do Brasil (tem também as chapadas Diamantina, na Bahia, e dos Veadeiros, em Goiás). Paramos para almoçar em Barra do Garças, exatamente na divisa entre os estados de Goiás e Mato Grosso, no restaurante Encontro das Águas. Obviamente, comemos peixe, prato típico da região, o qual estava maravilhoso. Valeu a pena. De lá, seguimos até Campo Verde onde dormimos, para conhecer a Chapada no dia seguinte.

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Cedo, já estávamos no mirante do centro geodésico da América do Sul. A paisagem é de tirar o fôlego e ótimo para contemplar a natureza e abusar nas fotografias. Visitamos também a cachoeira Véu da Noiva, o restaurante/mirante Morro dos Ventos e o Portão do Inferno. Todos próximos a rodovia que nos levaria até Cuiabá, capital mato-grossense. Por lá, almoçamos em uma churrascaria rodízio, a Boi Grill. Na realidade, esperava mais do local, porém, classificaria como uma churrascaria honesta, com carne boa e um excelente atendimento. Passamos também por Cáceres e dormimos em Pontes e Lacerda.

06 Centro geodésico da América do Sul

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Mais um dia chegou e este foi de muito trabalho. Seguimos por estradas esburacadas, calorentas e com pouca estrutura turística. Almoçamos em um restaurante à beira da estrada. O barato foi por conta de termos sido abordados por pessoas simpáticas, no município de Ouro Preto do Oeste, que se interessaram muito pelo nosso passeio e o divulgaram para a comunidade local, falando um pouco de nós e de nossas motos. Insistiram para que ficássemos no município, mas, como corríamos contra os quilômetros, resolvemos seguir e pernoitar em Ariquemes, no estado de Rondônia.

No dia seguinte, continuamos o trajeto passando direto por Porto Velho, capital de Rondônia, tendo em vista que perderíamos um dia de viagem caso resolvêssemos conhecer a cidade, sobre a qual várias pessoas nos falaram ser dispensável. Atravessamos o rio Madeira de balsa, bem na fronteira entre Brasil e Bolívia, onde recebemos valiosas orientações do comandante da PM local, já que, literalmente, estávamos no mesmo ‘barco’. Ele nos orientou a evitar a Bolívia, por questões de segurança. Apontando para uma bandeira da Bolívia, afixada do outro lado do rio, nos contou também que havia monitoramento contínuo pelo exército boliviano, pois, recentemente, brasileiros a trocaram por uma bandeira do Flamengo. Sem comentários!

09 Na balsa

10 Bandeira da Bolívia

Já em Rio Branco, capital do Acre, nos surpreendemos com a cidade. Bonita e agradável! Ficamos no Hotel Pinheiro, que é um dos melhores (não muito caro) e fica em frente ao Hotel Inácio, também bom, ambos do mesmo dono. Pelo fato dele ser motociclista, nos fez um preço especial. Ficamos um dia a mais para dar uma descansada e aproveitar para lavar algumas roupas e preparar para a parte mais esperada da viagem. Visitamos alguns pontos turísticos da cidade e a parte próxima à zona portuária, onde existem agradáveis bares com música ao vivo. Encontramos mais dois motociclistas, que estavam no mesmo hotel e iriam também a Machu Picchu. O grupo aumentou e viajamos em cinco motos.

12 Rio Branco

Dia da chegada ao Peru. Saímos cedo e pegamos mais um trecho de estradas esburacadas até Assis Brasil, fronteira dos países. Fomos bem atendidos na alfândega e, depois de uma burocracia de pouco mais de uma hora, seguimos viagem até Puerto Maldonado.

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O clima era outro. A alegria nos tomava de ter chegado até ali, depois de seis dias de viagem e milhares de quilômetros, apesar ainda de termos muito chão pela frente.. O trânsito nos assustou um pouco e tivemos vontade de andar de ‘tuc-tuc’, um triciclo com uma cabine, mas meu tamanho me impediu de desfrutar desta emoção.

16 Tielo no tuc-tuc

Ficamos num hotel muito bom e com bom preço, o hotel Cabaña Quinta. Ali, vimos o quanto pagamos caro no Brasil. Para me sentir um verdadeiro Peruano, provei a cerveja local, Cuzqueña. Sensacional.

15 Uma linda criança peruana

Acordamos ansiosos, pois, neste dia, cruzaríamos a Cordilheira. Por uma dádiva, pegamos neve quando atingimos o topo. Quem viveu praticamente a vida inteira no Rio de Janeiro pode imaginar a emoção daquele momento. Um frio suportável. Imagem de filme. Simplesmente, ficamos bobos com o que víamos.

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Folhas de coca, adquiridas antes, nos ajudaram a vencer o mal da altitude, conhecido lá como ‘soroche’. Elas amenizam os efeitos nada agradáveis desta mudança abrupta de pressão atmosférica e ar mais rarefeito. Algumas pessoas nada sentem. Outras, ficam acabadas. O organismo e o psicológico têm fatores decisivos também. O método certo de ingerir as folhas de coca aprendemos depois, com o nosso guia Holger Garcia em Machu Picchu, que atendia pelo apelido de ‘amoroso’ (tel: 984 725544): devemos selecionar aquelas mais verdes e limpar as pequenas impurezas, com a mão mesmo. Tirar o delicado talo da folha, dobrar ao meio no sentido vertical e vir dobrando, até virar um minúsculo quadrado. Colocar de dez a quinze folhas na parte externa da gengiva, dos dois lados, bem atrás da boca. Respirar lentamente e evitar atividade física intensa ajuda bastante. O nosso amigo Tielo colocava as folhas na boca como se fosse uma girafa. Tentei e me senti mal. O gosto é forte e o odor característico. A forma que foi ensinado tornou o processo ser menos indigesto. Tudo é uma questão de saber como fazer. Além disso, o povo de lá considera tal ato um ritual e fazer de qualquer maneira pode ser visto como desrespeito. Eles garantem que se pode andar um dia inteiro sem haver necessidade de ingerir água mascando a erva. Informação muito útil para quem pretende atravessar uma Cordilheira de moto, como nós, onde tudo pode acontecer.

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Chegamos em Cuzco a noitinha. Foi uma luta encontrar um hotel bom, barato e com ‘cochera’. O trânsito parecia que ia piorando à medida que a cidade ia aumentando. Cuzco está situada a 3.400metros de altitude. Ali, os efeitos da altitude, já são mais notórios. Dor de cabeça, náusea, cansaço excessivo. Para quem já teve ressaca, não é nada de outro mundo. Meu amigo Rosalvo insistia para tomar um remédio ‘genérico’ que ele comprou numa farmácia, sem a descrição dos componentes ativos. Resisti, mas, ao final, me rendi. Arrependimento de não ter tomado antes.

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Cuzco é uma cidade com potencial turístico absurdo. Tem de tudo e todos. A culinária peruana é um caso à parte. Muito saborosa e saudável. Vários museus, parques, restaurantes. Programas para todos os gostos e bolsos. Lá é o principal ponto para quem vai visitar Machu Picchu. Foi onde nos separamos dos amigos paulistas que, por obra do acaso, fizeram parte de nossa viagem. Deixo aqui meu abraço aos irmãos de estradas Wellington e Guilherme.

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Resolvemos deixar as motos no hotel e fechar um pacote para Machu Picchu, indo de van até uma represa e, de lá, caminhando por cerca de duas horas. A volta foi de trem até Ollantaytambo e de van/táxi até Cuzco. O trem encarece muito o passeio, mas foi ótimo não voltar de van.

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Nunca passei pela estrada da morte na Bolívia, mas acredito que o trajeto que a van fez se assemelha a ele, e muito. Lugares com desfiladeiros enormes à beira da rodovia e lugares onde só passava um carro, com muitas curvas, o que fez com que o Tielo passasse muito mal. A paisagem sim, valeu muito a pena. Mas fico na dúvida se faria de novo de van. De moto, eu arriscaria. A caminhada, por sua vez, é muito leve e agradável. Ficamos em um dos inúmeros hostel’s no município que leva o mesmo nome do local: Machu Picchu. O único ponto desagradável na localidade é a umidade muito alta. A camisa chega molhada e assim permanece por dois dias. Por lá, a hospedagem é muito barata, logo, poderíamos ter ficado em um lugar melhor sem comprometer o orçamento. A altitude, para quem estava em Cuzco, é moleza! Voltamos a conseguir respirar.

23 Trajeto para Machu Picchu

Sobre Machu Picchu não vou discorrer muito, pois vários sites se encarregaram disso, alguns, de forma exaustiva. Vou me limitar a dizer que a paisagem e a energia do lugar são extraordinárias. É um lugar que, necessariamente, todos deveriam visitar ao menos uma vez na vida. Com certeza, voltarei para explorar mais o local, não me limitando aos passeios básicos e aprofundando em caminhadas. Foi um momento transcendente. Depois de uma caminhada, comi um prato típico do Peru e maravilhoso: ceviche, que nada mais é do que peixe cru marinado no limão. Os adeptos de comida japonesa podem nadar de braçada. Só tome cuidado com uma pimenta que, dependendo do restaurante, é cortada como um tomate. Tomar um copo de chumbo derretido deve ser mais agradável.

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Voltamos a Cuzco, pegamos a moto e decidimos que iríamos até Lima, pelo pacífico. Várias pessoas nos deram dicas para chegar até lá e concluímos que o trajeto mais prático seria passando por Nazca, mesmo que no mapa pareça não fazer sentido. É que lá há muita montanha e, de um ponto a outro, andaríamos o triplo da distância caso fosse uma reta. Seguimos até onde deu, em Abancay. Ficamos no Hotel Turista, muito bom e muito barato. Eu já estava ficando mal acostumado. Culinária invejável e cerveja cuzqueña gelada! Estava no paraíso. A cidade em si não tem muita coisa.

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Na sequência, passamos por Puquio e chegamos a Nazca. Assustamos com o assédio de pessoas nos oferecendo hotel, a ponto de beirar a indelicadeza. Tivemos que ser contundentes com alguns para que nos deixassem decidir em paz, como fizemos a viagem inteira. Rosalvo não gostou da energia da cidade e ficou louco para ir embora. Ele, definitivamente, ficou angustiado e, embora eu não tenha sentido tal ‘vibração’, confiei no instinto dele e aceleramos no dia seguinte cedo. Não pegamos o voo para ver as famosas linhas de Nazca (desenhos feitos no chão do deserto, em formatos de animais e figuras humanas, designados Patrimônio Mundial pela Unesco), mas as avistamos por um mirante improvisado e não achei nada de outro mundo. Acredito que é um programa para quem não está com o dinheiro contado, portanto, dispensável. Há outros atrativos na cidade, mas corremos sentido Lima.

Chegando ao pacífico! Que paz, que alegria! A sensação de estar do outro lado da América me fez refletir sobre a vida, coisa que, por sinal, fazia todos os dias em cima da moto. Almoçamos em Pisco e, como estávamos adiantados, resolvemos entrar na cidade e pegar um restaurante na beira do mar. Vários pratos de todos os tipos. Priorizamos, por óbvio, comer pescado.

29 Primeiro contato com o Pacífico

Na estrada, já chegando à capital peruana, vimos dois motociclistas, para os quais Rosalvo, na cara dura, fez sinal para conversar e eles pararam. Deram valiosas dicas, como não ir a Plaza de Armas, pois lá era tomado de mendigos e usuários de drogas. Nos indicaram também que ficássemos em Miraflores, um distrito que foi tomado pela expansão urbana e, praticamente, era um bairro da Capital. Excelente pedida. Ali os hotéis já não eram baratos. Após cansativa procura, conseguimos vaga no Hotel Ariosto. O preço não era exorbitante e ainda tinha garagem, o que, no nosso caso, era fundamental. Lembraram da teoria: quanto maior a cidade, pior o trânsito? Lá faz qualquer paulistano se sentir na roça. O curioso é que não havia acidentes, pelo menos não os presenciamos.

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29B Bela igreja em Lima

Após uma injeção de civilização, revisadas as motos, descemos o pacífico rumo ao Chile. Resolvemos que não voltaríamos ao Brasil pelo mesmo trajeto, e, sim, por Foz do Iguaçu. Chegamos em Camaná, ainda no Peru, uma cidadela à beira do Pacífico, onde a única coisa que tínhamos para fazer era dormir. Decidimos que não íamos conhecer Arequipa e nem o lago Titicaca, porque demandaria mais tempo e dinheiro, coisa que não tínhamos sobrando. Fiquei sentido por não ter conhecido Chivay e por não ver o voo dos condores e o Monte Mismi, onde nasce o Rio Amazonas, mas aqui a caminhada seria boa!

Quanto mais ao sul do Peru, maior a diferença de costumes e da culinária. A comida fica mais pesada e o povo mais simples. Aliás, fica aqui minha admiração pelo povo peruano, pela retidão e educação, sendo muito homogêneos em suas tradições e costumes. Como bom brasileiro, esperamos, a todo momento, sermos enganados por algum peruano, algo que nem de perto aconteceu. O meu preconceito me envergonhou.

Seguimos pelo litoral, cruzamos a fronteira do Chile e ficamos em Arica. A mudança do povo e cultura são perceptíveis. Achamos um hotel, Lynch, do qual o proprietário também era um motociclista. Além do desconto, ainda ganhamos um guia da moto, que nos levou para conhecer a cidade, num aprazível passeio noturno. Fica aqui meu especial agradecimento ao que posso chamar de amigo, Gabriel Cristian, que nos auxiliou na troca de pneu da moto, nos levando para a área comercial da cidade e se recusou a aceitar qualquer gratificação por isso.

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Como resolvemos a questão do pneu da moto já tarde, decidimos que acordaríamos de madrugada e seguiríamos direto para San Pedro de Atacama, num ‘só tiro’. Quatro horas da manhã e já estávamos montados na moto. Quando passamos por uma região desértica, além dos fortes ventos, sofremos uma sensação térmica terrivelmente baixa, a ponto de ter sido oportuno uma pausa para um café. Assim que o sol nasceu, problema resolvido. Chegamos em Iquique, ainda cedo, quase sem combustível devido a falta da postos. A cidade é maravilhosa e fica entre o Pacífico e uma montanha. Impressiona, mesmo depois de termos visto tantas maravilhas.

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No mesmo dia, rodamos pelo Pacífico até Tocopilla. As curvas e o mar ao nosso lado me lembrou Roberto Carlos cantado ‘as curvas da estrada de Santos’, a qual também já tive o prazer de conhecer. A saudade do Brasil e de casa já começava a apertar. Chegamos de dia ainda em San Pedro de Atacama. Nada como acordar cedo para render o dia. Logo de cara, encontramos oito motociclistas de São Paulo e logo fizemos amizade e ficamos na mesma pousada que eles. Aliás, é impressionante como na localidade há brasileiros. Muito lugar para conhecer, mas pouco tempo e dinheiro. Essa combinação não deu certo. Acordamos e seguimos viagem, quando nos despedimos do Chile e entramos na Argentina.

Almoçamos à beira de estrada, um prato fantástico e preço idem. Viva a Argentina! Nisso eles são imbatíveis. Descemos a Cordilheira e a viagem já estava com gostinho de despedida. Parecia que já éramos locais. Semanas em cima de uma moto, sendo este o nosso habitat. Dormimos em San Salvador de Jujuy e tivemos dificuldades com câmbio. Como nos arrependemos de não andar com dólar, moeda que é aceita no mundo inteiro… Por pouco, não ficamos sem dinheiro para abastecer, pois não conseguimos cambiar pesos Argentinos e quase nenhum posto aceitava cartão, pois a taxa são assustadores 15%!

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Atravessamos o Chaco argentino com certo receio, pois é uma região de muito calor e pouco habitada. Acredito que a época favoreceu, pois foi muito tranquilo, exceto a entediante e interminável reta. Chegamos a Corrientes e lá sim nos surpreendemos com o tamanho e estrutura da cidade. Muito bom! Altamente recomendável, pena que o nosso tempo já estava terminando.

Dali, seguimos no outro dia até Puerto Iguazú, cidade Argentina que faz fronteira com o Paraguai e com o Brasil. A influência brasileira se mostrou clara neste trajeto: muitos radares de velocidade, coisa que não víamos há milhares de quilômetros. Logo, confirmamos que a educação no trânsito não tem sido bem exercitada no Brasil. Resolvemos dormir na Argentina, ainda porque poderíamos desfrutar de combustível mais barato, estadia mais barata, culinária melhor e mais barata e, para se entrar no Paraguai, o táxi partindo da Argentina é menos burocrático.

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No dia seguinte, fomos até Ciudad del Este, no Paraguai, e seguimos a orientação do taxista, que nos levou numa loja com a garantia de que todos os produtos eram originais. Porém, os preços não compensavam. Quando os preços compensavam, tínhamos que ter cuidado com a qualidade do produto. No final das contas, nada compensava. Exceto muamba, que não era nosso caso, pois nem tínhamos onde carregar. Mas temos que conhecer, nem que seja para falar mal. O melhor da visita à cidade foi o shopping Monalisa, onde os preços eram razoáveis e se encontrava de tudo.

Voltamos para a Argentina, montamos nas motos e pilotamos até Cascavel, já no Brasil, no estado do Paraná. Curioso a quantidade de churrascaria rodízio quando se cruza a fronteira. Embora a Argentina seja ótima na culinária, os brasileiros ganham em gula, pois é uma ao lado da outra. Realmente, não encontramos rodízio em nenhum dos três países que cruzamos. De tanta propaganda, em Cascavel jantamos, lógico, em um rodízio. Tem seu lado bom. O peso que perdemos na viagem (uma média de 5kg) viemos ganhando desde o norte da Argentina.

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Viemos juntos até pouco depois de Londrina, quando nos despedimos do Rosalvo, que passaria pela capital Paulista e iria direto para Niterói, no Rio de Janeiro. Aqui, todas as divergências da viagem foram tomadas por um sentimento de saudade e carinho, que só uma verdadeira amizade pode proporcionar. Valeu demais, Rosalvo! Seguimos, eu e Tielo, e dormimos em São Sebastião do Paraíso, já em Minas Gerais. Embora carioca da gema, o fato de estar no estado que me acolheu de braços abertos, com o jeito mineiro peculiar de ser, me deixou com uma sensação de ter chegado em casa.

Mais 450 km, estava em casa, são e salvo, e com sensação de dever cumprido. Nem uma unha quebrada e sem problema mecânico algum. Só os pneus de duas motos que acabaram. Mais de 12 mil quilômetros e 26 dias longe de casa. Uma viagem inesquecível.”

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História enviada pelo leitor Bruno Affonso

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